Cláudio Fonseca
Por Cláudio Fonseca
Otorrino Especialista

22 de fevereiro de 2016


0 compartilhamentos
Nenhum comentário

Síndrome de Ménière: O que é? Como tratar?

Ouvido tampado, zumbido, vertigem e surdez flutuante são sintomas desta síndrome


Compartilhar

Síndrome de Ménière

Sensação de pressão ou ouvido tampado, zumbido, vertigem e surdez flutuante. Estes são os  principais da síndrome de Ménière, chamada também de hidropsia endolinfática.  Neste problema otológico, ocorre uma distensão do compartimento onde fica armazenada a endolinfa, o líquido do labirinto. Ou seja, ela provoca um aumento da pressão do líquido dentro do ouvido interno.


 Batizada com o nome de Prosper Ménière, diretor de Instituto dos Surdos Mudos de Paris que identificou seus sintomas no início do século 19, a síndrome nada mais é que uma espécie de “pressão alta” do ouvido.

 De acordo com os especialistas, este distúrbio atinge principalmente adultos entre 30 e 50 anos – com certa prevalência entre as mulheres. Na maioria dos casos, ela afeta apenas um ouvido.

Não deixe sua saúde auditiva para depois. Teste um aparelho auditivo totalmente Grátis este mês na Direito de Ouvir!

Número de testes limitado a 250 por mês, restam .


Como a síndrome acontece?

Para entender como a hidropsia endolinfática acontece é preciso analisar o funcionamento do ouvido interno. Com um papel importante no equilíbrio e localização espacial do corpo, o labirinto é um conjunto de arcos semicirculares preenchidos com a endolinfa.

Sempre que nos movimentamos, a endolinfa se mexe – essa alteração gera sinais elétricos que são encaminhados para o cérebro, onde são “traduzidos” para identificar nossa posição.

Na síndrome de Ménière, a pressão no ouvido faz com que os sinais enviados sejam imprecisos, o que provoca sintomas os principais sintomas da doença:

As crises com episódios de vertigem podem durar entre 20 minutos e 24 horas. Como a pessoa afetada fica com uma sensação forte de vertigem e tontura, pode sentir náuseas e vômito. A audição pode “sumir” e voltar nesse período – assim como o zumbido que também pode ser intermitente.

Por ser aparentemente flutuante, a doença pode ser confundida com um mal estar temporário ou com a labirintite em seu estágio inicial. Mas, conforme ela progride, pode causar perda auditiva de baixa e alta frequências.

Por que a pressão da endolinfa aumenta?

sindrome-meniere-anatomia-do-ouvido

As causas da Síndrome ou Doença de Ménière ainda não são totalmente comprovadas cientificamente. O aumento na pressão da endolinfa pode ser causado por alergias, problemas metabólicos e autoimunes, infecções ou mesmo erros alimentares.

Especialistas ainda apontam uma relação com doenças como diabetes, hipertensão e enxaqueca e doenças autoimunes (como lúpus e reumatismo).

Diagnóstico da síndrome de Ménière

Com crises de vertigem, perda auditiva e zumbido, a doença pode ser confundida com um mal estar temporário em seu estágio inicial. Mas, conforme ela progride, pode causar perda auditiva de baixa e alta frequências.

As crises podem ser desencadeadas por estresse, ciclo menstrual, cigarro ou alterações na dieta. Muitas pessoas relatam que ates das crises de vertigem surgirem, é comum sentir uma sensação de ouvido entupido.

Para fazer um diagnóstico do problema, os especialistas levam em consideração o quadro clínico e outras doenças. Exames como a audiometria e a eletrococleografia também são úteis para auxiliar o diagnóstico. Hemogramas também podem ser necessários para detectar fatores metabólicos envolvidos.

Qual é o tratamento para a doença de Ménière?

Especialistas não falam em cura para a doença de Ménière, mas em combater os sintomas que atrapalham a qualidade de vida de quem sofre do problema. Normalmente, o tratamento tem o objetivo de reduzir os ataques de vertigem, minimizar o zumbido e problemas de equilíbrio e evitar que a progressão da doença comprometa a audição da pessoa – como o uso de aparelhos auditivos.

Remédios para tratar náuseas e vertigens - como diazepam, lorazepam, meclizina, dimenidrinato, escopolamina, prometazina e proclorperazina - podem ser utilizados. Diuréticos, como a hidroclorotiazida, e o vasodilatador beta-histina, também podem ser indicados.  Terapia de reabilitação vestibular, que são exercícios específicos com o objetivo de ajudar o seu corpo a maximizar o equilíbrio, e com o dispositivo Meniett, que é um aparelho usado para a aplicação de pressão positiva no ouvido médio como forma de melhorar o intercâmbio de fluidos no labirinto, pode ser outra recomendação médica.

Paralelamente ao tratamento, mudanças no estilo de vida podem ser recomendadas. Por exemplo:

  •  Alimentação balanceada com redução no consumo de cafeína
  •  Prática de exercícios
  •  Práticas para aliviar o estresse, como meditação

Em casos extremos, pode ser recomendada uma cirurgia que corta o nervo vestibular.

Qual a diferença entre a labirintite e a síndrome de Ménière?

Síndrome de Ménière não é o mesmo que labirintite, mas pode ser uma das causas dela. A labirintite é o nome usado para identificar doenças que afetam o labirinto. O problema é que existem muitos distúrbios diferentes que comprometem esta estrutura do ouvido, mas que acabam sendo chamadas da mesma forma erroneamente.

O que diferencia cada uma dessas moléstias é a causa. Um dos problemas mais comuns que afetam o labirinto é a Vertigem Postural Paroxística Benigna (VPPB), responsável em mais de 80% dos casos de acometimento labiríntico. Ela causa um conjunto de sintomas muito parecido com a síndrome de Ménière: como tontura, falta de equilíbrio, zumbido.

Mas o que a diferencia dela é justamente a causa: enquanto a síndrome é provocada pelo aumento de pressão da endolinfa, o VPPB é provocado pelo deslocamento das otocônias, pequenos cristais que se desprendem e ficam circulando livremente pelos canais labirínticos.

 Com isso, o paciente sente vertigens sempre que faz algum movimento brusco com a cabeça (principalmente o movimento de deitar e levantar da cama).