Por Direito de Ouvir

06 de dezembro de 2021

O Processo de Adaptação com os Aparelhos Auditivos

Veja os motivos que os pacientes têm dificuldade em adaptar-se aos aparelhos auditivos

06 de dezembro de 2021



Essa é uma pergunta frequente no consultório.

O medo de investir em um equipamento que, sabemos, não é barato, e não se adaptar ao mesmo, acredito ser o maior receio de quem inicia o processo de busca ao aparelho auditivo.

Mas o que leva uma pessoa a não se adaptar a esses equipamentos que tem como principal função auxiliar na amplificação de sons aos que dele necessitam?

São vários fatores que podem influenciar negativamente no processo de adaptação de um aparelho auditivo. Citarei aqui alguns fatores que, ao longo desses 20 anos adaptando aparelhos auditivos, encontrei na minha rotina clínica.

Aceitação e consciência do próprio problema.

Muitos pacientes precisam de orientação e esclarecimentos quanto a origem da perda auditiva e dos tratamentos para tal. Parece obvio que se o paciente está em busca de um aparelho auditivo é porque aceitou que necessita de um, mas isso muitas vezes não é verdade.

O paciente envolto a uma rotina clínica, muitas vezes conduzidos por familiares que se queixam de sua dificuldade de entender, tem sinais de perda auditiva, mas não percebe sua dificuldade ou até mesmo tem o conceito que aparelhos auditivos são adaptados apenas para pessoas “muito surdas”. Assim, é necessário que se explique detalhadamente a razão pelo qual ele foi encaminhado ao uso dos aparelhos auditivos.


Privação sonora e características da perda auditiva


Outro fator importante para uma adaptação tranquila é o tempo de privação sonora e a característica desta perda auditiva. Quanto maior o tempo de privação sonora maior será a dificuldade em adaptar-se aos aparelhos auditivos. Afinal, esse paciente que há anos não escuta sons em sua totalidade, adaptou-se a ausência dos mesmos e, quando coloca os aparelhos auditivos, os percebem como não agradáveis, como por exemplo: barulhos do trânsito.

Uma dica para essas situações é que o profissional responsável por esta adaptação faça as orientações cabíveis e que tenha a sensibilidade de aumentar gradualmente o volume para que o paciente tenha uma adaptação menos traumática. Lembrando-se que cada caso requer condutas distintas. As características da perda auditiva também podem facilitar esse processo ou até mesmo dificultá-lo.

Escolha da melhor tecnologia e modelo do aparelho auditivo

A escolha da tecnologia do aparelho auditivo, o modelo a ser colocado e a bilateralidade (os dois lados quando necessário), são itens primordiais na adaptação dos aparelhos auditivos. Muitos pacientes, apresentam conceitos distorcidos quanto a esses tópicos e elegem, sem conhecimento correto, ações que podem dificultar ou até mesmo impedir uma adaptação de excelência.

Vale lembrar que, por maior que seja a tecnologia dos aparelhos auditivos atualmente, eles ainda se diferem da audição natural, no entanto, o grande número de recursos auxilia o profissional e os pacientes quanto aos ajustes e qualidade sonora.

Além da tecnologia, o modelo do aparelho auditivo deverá receber uma atenção para que haja um consenso entre paciente e fonoaudiólogo, afinal, este é um tópico que irá contribuir para a adaptação deste paciente.

Sempre que possível, respeitamos o desejo do paciente. Porém, quando o modelo eleito por ele não é adequado às características da perda auditiva, devemos propor uma experiência com o aparelho auditivo adequado, para que o paciente possa perceber a melhora auditiva pautada na escolha correta. Nesse caso, contra fatos não há argumentos: percebendo a melhora o paciente optará pelo aparelho correto.

 A relação entre paciente e o fonoaudiólogo audiologista deve ser de confiança plena.

Para que isso aconteça, é preciso que o profissional transmita conhecimento e segurança através de suas palavras e ações, pois só assim estabelecerá um vínculo e conseguirá ajudá-lo a tomar decisões assertivas para o seu bem estar.

A participação do fonoaudiólogo audiologista é fundamental no processo de adaptação do paciente aos aparelhos, sendo seu suporte decisivo para elevar a autoestima e a qualidade de vida de seus pacientes.

Fonoaudióloga Andréa Varalta

CRFº 2-12414


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