Por Direito de Ouvir

06 de janeiro de 2022

O aparelho auditivo existe há mais de três séculos

A insegurança e a vergonha de uso aparelhos auditivos

06 de janeiro de 2022


    

Isso mesmo! Os aparelhos auditivos como alternativa para escutar melhor existem há muito tempo, a fim de proporcionarem uma melhor qualidade de vida para pessoas com deficiência auditiva.

No início, as pessoas se preocupavam apenas com o ouvir bem e não com a estética. Mas, com o passar do tempo, a vergonha, a insegurança, a falta de aceitação em não ouvir, além da vaidade e o status, passaram a ser empecilhos para o uso do aparelho auditivo. Até mesmo os monarcas tinham suas inseguranças.

Em 1819, o rei Dom João VI, por apresentar perda auditiva, mandou confeccionar um Trono Acústico. De acordo com a história, ele tinha vergonha de mostrar que não ouvia bem, por isso, o trono funcionava como um “disfarce” para sua deficiência, para afirmar seu poder.

Assim, o súdito deveria se ajoelhar ao pé do trono e falar na boca do leão. Desta forma, o som era amplificado no ouvido do Rei através de um dispositivo parecido com uma sonda e era assim que ele ouvia melhor os súditos.


Réplica do Trono Auditivo de D. João VI, 1820. Acervo do Museu do Aparelho Auditivo, Direito de Ouvir, Franca/SP.

Bem mais tarde, já na década de 1950, foi a vez das mulheres encontrarem saídas para disfarçar o uso dos aparelhos auditivos. Como sua vestimenta tornou- se cada vez mais feminina e sofisticada e o uso de adornos ficou cada vez mais comum, os aparelhos auditivos eram disfarçados como brincos, acessórios de cabelos, broches ou até mesmo escondidos dentro de colares.


Brinco com aparelho auditivo da Sterling Manufacturing Company, 1950. Acervo do Museu do Aparelho Auditivo, Direito de Ouvir, Franca/SP.

Com este padrão de sofisticação, criaram o brinco com o aparelho auditivo. Seu alto preço e delicadeza de detalhes nos indicam que foi fabricado para ser um artigo de luxo. O funcionamento do brinco se dá através do seu circuito, escondido logo atrás do design de prata e o receptor a ser inserido no ouvido. O brinco mostra o quanto a evolução estético-tecnológica estava presente no mercado de aparelhos auditivos e disposta a melhorar a imagem do aparelho para o seu público alvo.

 
Colar de pérolas com aparelho auditivo da Custom Jewelry by Hal Hen,1950.Acervo do Museu do Aparelho Auditivo, Direito de Ouvir, Franca/SP.

Além do Brinco, as mulheres escondiam os aparelhos auditivos em colares. Os colares possuíam com bobina de indução magnética para utilização do amplificador, era colocado em volta do pescoço para receber o som direto nos aparelhos auditivos.


Colar dourado com aparelho auditivo da Custom Jewelry by Hal Hen,1952. Acervo do Museu do Aparelho Auditivo, Direito de Ouvir, Franca/SP.

A vaidade não era só da mulher, os homens também escondiam que usavam aparelhos. Foi criado um aparelho auditivo escondido atrás do prendedor de gravata! Ele era composto por três transistores, microfone externo, o receptor correria sob a camisa e sairia no pescoço, abaixo da orelha. Tudo o que ficava visível para indicar que a pessoa estava usando um aparelho auditivo seria o receptor no ouvido do usuário.


Aparelho auditivo camuflado como prendedor de gravata da Beltone Electronics Corp,1955. .Acervo do Museu do Aparelho Auditivo, Direito de Ouvir, Franca/SP.

Os aparelhos auditivos escondidos não paravam por aí. Foi criado também óculos com aparelho auditivo, eles tinham componentes eletrônicos alojados em uma parte da haste e podiam ser configurados para um ou ambos os ouvidos.


Óculos com aparelho auditivo da Beltone Electronics Corp,1957.Acervo do Museu do Aparelho Auditivo, Direito de Ouvir, Franca/SP.

O aparelho auditivo retratado na foto anterior, está alojado na haste direita e o lado esquerdo era feito para que os dois lados ficassem iguais. Este modelo agradava tanto homens quanto mulheres.

Atualmente, os aparelhos auditivos continuam evoluindo e servindo ao propósito de fazer-nos escutar bem. Tornaram-se altamente tecnológicos, agregando diversas funções que visam ainda maior conforto e comodidade ao usuário. No entanto, não precisam de disfarce pois se tornaram imperceptíveis e quase invisíveis.

O aparelho auditivo invisível da Linha MyDO, são menores e foram feitos para serem utilizados dentro do canal auditivo. Sua cor preta faz com que o dispositivo se assemelhe a uma sombra, aumentando a discrição, se tornando invisível para quem está ao seu redor, mesmo que olhem diretamente para seu ouvido.


Aparelho Auditivo MyDO invisível no Canal (IIC).

 Já os modelos retroauriculares invisíveis da Linha MyDO, são pequenos, versáteis e, mesmo ficando atrás da orelha, são discretos por serem conectados por um tubo plástico fino e transparente, quase não sendo visíveis .


Aparelho Auditivo MyDO Retroauricular (RIC).

Notou a evolução?
Os aparelhos auditivos ficaram mais modernos e discretos, muito mais tecnológicos e confortáveis.

É uma pena que ainda exista muito preconceito e vergonha relacionados ao uso do aparelho auditivo.

Apenas para te fazer pensar: de acordo com a OMS, existem 1,5 bilhão de pessoas no mundo que vivem com certo grau de deficiência auditiva. Muitas dessas pessoas já desfrutam o benefício dos aparelhos auditivos, mas a grande maioria ainda está afundada em dúvidas e questionamentos a respeito de sua condição e como resolver este problema.

Saiba que cuidar da sua saúde - e da sua saúde auditiva - vai além de questões de moda, vergonha ou vaidade.

Atualmente, vivemos em uma sociedade que busca empatia, reconhecer as diferenças e as limitações. Por isso, como seres únicos que somos, não precisamos nos prender a estereótipos - isso faz parte de nosso processo de conhecimento.

Buscar ajuda quando precisamos e superar nossos problemas é sinal de maturidade e evolução, por isso, caso você tenha sintomas de perda auditiva ou queira saber mais sobre o assunto, procure seu médico otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo de confiança. Apenas eles podem lhe prover um diagnóstico seguro e lhe acompanhar no caminho para uma melhor solução.

Quer saber mais? Fale com a gente!

 Flavia Haber Cintra

Assistente de Marketing e Designer de Moda.

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 Leia também:
 A Invisibilidade da Perda Auditiva - Por Mafê Probst 





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