A síndrome de Waardenburg e a perda auditiva

Síndrome representa 3% dos casos de deficiência auditiva em crianças

  • A síndrome de Waardenburg consiste em um grupo de doenças genéticas que podem levar à perda auditiva e alterações na pigmentação dos cabelos, olhos e pele. Ela, que pode se apresentar desde o nascimento ou tardiamente, pode representar cerca de 3% dos casos de deficiência auditiva em crianças. A boa notícia é que os genes mutantes responsáveis por estas características já foram localizados, permitindo o diagnóstico pré-natal para casais de risco.

    Esta curiosa patologia foi descrita primeiramente pelo oftalmologista holandês Petrus Johannes Waardenburg, no ano de 1951, como sendo uma condição autossômica dominante de penetrância e expressividade variáveis de seus caracteres, e, por isso, foi batizada com o nome do especialista.

    A incidência desta síndrome varia entre um para cada 30 mil pessoas e um para cada 42 mil pessoas, sendo responsável por aproximadamente 3% dos casos de deficiência auditiva em crianças.

    Sinais clínicos da síndrome de Waardenburg

        
  • deslocamento lateral do canto medial e do ponto lacrimal inferior
  • raiz nasal proeminente e alargada
  • hiperplasia da porção medial dos supercílios
  • mecha branca frontal
  • heterocromia total ou parcial da íris
  • surdez congênita

Tipos de síndrome de Waardenburg


Segundo os especialistas, existem quatro tipos distintos da síndrome de Waardenburg, que são:

Tipo I: relacionado com a mutação no gene PAX3. Neste tipo os pacientes apresentam epicanto (prega cutânea que se prolonga da base do nariz até o final da região medial da sobrancelha, chamado de distopia canthorum), distanciamento maior do que o normal entre os cantos mediais interno dos olhos, isocromia de íris com coloração azul brilhante ou heterocromiada íris (diferença de cor entre ambas as íris), mechas brancas no cabelo, confluência das sobrancelhas e alteração da pigmentação da pele.
Tipo II: ligado a mutações no gene MITF. Este tipo é bem semelhante ao tipo I, com exceção de que neste tipo há a ausência da distopia canthorum.
Tipo III: este tipo também é conhecido como síndrome de Klein-Waardenburg e trata-se de uma forma rara da síndrome que, além de apresentar as manifestações oculoauditivas e de pigmentação encontradas no tipo I, apresenta também microcefalia, malformações de membros superiores e deficiência mental. A mutação deste tipo localize-se no braço longo do cromossomo 2.
Tipo IV: este tipo também é conhecido como síndrome de Waardenburg-Shah e é semelhante ao tipo II apresentando a doença de Hirschsprung, de herança autossômica recessiva, podendo receber o nome de megacólon congênito. A afecção costuma surgir logo após o nascimento, sendo mais comum em indivíduos do sexo masculino, ocasionando intensa constipação, distensão abdominal e, em certos casos, vômito e, quando severo, atraso no crescimento. Este tipo está relacionado com mutações no gene EDNRB.

Como é feito o diagnóstico da síndrome de Waardenburg

Normalmente, o diagnóstico da síndrome de Waardenburg é feito com base no quadro clínico apresentado pelo paciente. Alguns exames podem auxiliar no fechamento do diagnóstico, como a audiometria, biópsia de cólon e testes genéticos.

Até o momento não existe tratamento e nem cura para a síndrome de Waardenburg. O sintoma típico, que é a surdez, é tratada como qualquer outra surdez irreversível. Outros problemas, como alterações neurológicas, estruturais e a doença de Hirschsprung, na qual ocorre o aumento do cólon por conta de uma obstrução intestinal, são tratados sintomaticamente. Uma pesquisa sobre a síndrome auxiliou numa pesquisa sobre o genoma humano.

Baseado em: Infoescola

Saiba mais:

Conheça doenças genéticas que podem estar relacionadas com a surdez 

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