Enxaqueca pode causar problemas de audição

Pesquisa mostra que pessoas com enxaqueca têm prejuízos na audição

Pessoas que sofrem de enxaqueca podem ter problemas de audição. É o que indicou uma pesquisa do Setor de Investigação e Tratamento das Cefaleias (SITC) e do Ambulatório de Neuroaudiologia, ambos ligados ao Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp), em São Paulo.

Estima-se que 15,2% da população brasileira sofra com enxaqueca e esse problema afeta a forma como as informações são processadas pelo cérebro.

O estudo, de autoria da fonoaudióloga Larissa Mendonça Agessi, selecionou 41 pacientes com idades entre 18 e 40 anos, de ambos os sexos, divididos em três grupos. No primeiro ficaram 11 indivíduos com enxaqueca acompanhada de aura – nome que é dado para sintomas visuais e sensitivos como flashes luminosos, pontos brilhantes, visão embaçada, formigamento, dormência, dificuldade em falar, tontura e vertigem, entre outros.

No segundo grupo, com 15 participantes, ficaram pessoas com enxaqueca sem aura. O terceiro, considerado o grupo controle, com 15 indivíduos, que não relataram a ocorrência de cefaleia no último ano ou nunca a tiveram.

Foram excluídos os voluntários com distúrbios neurológicos e psiquiátricos, traumatismo craniano, perda auditiva e cirurgias otológicas, uso de medicações ototóxicas, exposição ao ruído ocupacional; abuso de drogas ou consumo de álcool e tabagismo.


Enxaqueca pode prejudicar audição

Das 26 pessoas que estavam no grupo com enxaqueca, 21 apresentaram problemas com o processamento auditivo. Os pesquisadores concluíram que elas ouviam, mas tinham mais dificuldade de compreender o que foi dito do que aquelas que não têm dor de cabeça.

Todos os pacientes foram avaliados com testes que verificam o processamento auditivo central – como Gap in Noise (GIN), para avaliar a capacidade auditiva de resolução temporal (capacidade do sistema auditivo de detectar a ocorrência de dois sons consecutivos, separados por um intervalo de silêncio de 2 a 20 milissegundos, evitando-se que fossem percebidos como um único som); Duration Pattern Test (DPT), para verificar a capacidade auditiva de ordenação temporal (capacidade de nomear e ordenar três sons diferentes quanto à duração, ou seja, afirmar se determinado som é curto ou longo).

Como resultado, os pacientes com enxaqueca tiveram mais dificuldade em identificar a presença de dois sons num intervalo de silêncio de 6 milissegundos, e na discriminação de sons de curta e longa duração.

Dessa maneira, os pesquisadores constaram que a enxaqueca pode prejudicar o processamento auditivo central. Já ouviu falar sobre o transtorno do processamento central?