Distúrbio do processamento auditivo central (DPAC)

O problema auditivo caracterizado pela incapacidade do cérebro de processar os sons


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Perceber as pequenas diferenças entre os sons das palavras não é tão simples para quem sofre com o distúrbio do processamento auditivo central (DPAC). O problema auditivo pode afetar pessoas de todas as idades, mas é mais comum em crianças. Entre 2 a 7% do público infantil em idade escolar pode ter DPAC diagnosticado ou não.


Os indivíduos com essa dificuldade auditiva não conseguem entender o que ouvem da mesma maneira que outras pessoas. Isso ocorre porque há uma falha no processamento auditivo central, que é a capacidade que o cérebro tem de processar e interpretar os sons que chegam pelos ouvidos. Assim, mesmo que a pessoa não tenha perda auditiva, significa que ela não reconhece os sons da maneira usual, especialmente da fala.

A gravidade do problema auditivo é muito variável. Algumas pessoas podem ter mais dificuldades do que outras e os efeitos são agravados por outras condições, como dislexia, déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e problemas de fala e linguagem.

Sinais e sintomas

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Muitas vezes, o DPAC é confundindo com uma perda auditiva ou um distúrbio de aprendizagem. Por causa dos sinais do distúrbio, principalmente as crianças podem ser encaradas como preguiçosas, distraídas, desinteressadas, entre outros adjetivos.

Para evitar a confusão, é preciso ficar atento os sintomas do distúrbio do processamento auditivo central que, geralmente, não envolve sinais físicos, e sim características comportamentais como:

● Dificuldade para entender a fala de outras pessoas;

● Incapacidade de distinguir sons semelhantes uns aos outros;

● Dificuldade para prestar atenção;

● Facilidade para se distrair;

● Dificuldade para seguir instruções;

● Demora para responder durante conversas orais;

● Baixo desempenho na fala e linguagem;

● Problemas relacionados à leitura, ortografia e aprendizagem;

● Baixo desempenho em atividades musicais.

Causas

A Associação Americana da Fala, Linguagem e Audição (ASHA), fez o reconhecimento do DPAC apenas em 1996. Por ser um problema relativamente novo, a sua origem ainda é discutida no meio médico. Os especialistas ainda não sabem responder ao certo se os fatores genéticos ou o ambiente - ou ambos - são responsáveis pela dificuldade auditiva.

Até agora, as causas e fatores de riscos conhecidos para o distúrbio do processamento auditivo central incluem:

● Hereditariedade;

● Lesão cerebral, como traumatismo craniano, tumor cerebral ou meningite;

● Acidente vascular cerebral;

● Doenças degenerativas, como esclerose múltipla;

● Exposição a neurotoxinas, por exemplo em casos de envenenamento por chumbo;

Infecções crônicas no ouvido;

● Nascimento prematuro ou com baixo peso.

Diagnóstico

Nem todos os problemas de linguagem são consequências do DPAC, assim como nem todos os casos de DPAC resultam em problemas de linguagem e aprendizado. Por causa disso e da subjetividade dos sintomas, só é possível diagnosticar o problema auditivo após uma bateria de exames.

Uma equipe multidisciplinar, normalmente composta por fonoaudiólogo, otorrinolaringologista, neurologista, psicólogo e pedagogo é útil para descartar outros problemas similares.

Entre os testes, podemos citar uma avaliação do processamento auditivo central. O exame é realizado por um fonoaudiólogo que monitora a audição do indivíduo enquanto ele ouve palavras e frases à medida que o ruído de fundo aumenta e as falas ficam mais rápidas.

Além disso, é necessário realizar uma audiometria para avaliar a dificuldade auditiva e testes cognitivos e de linguagem.

A maioria dos testes para diagnosticar o DPAC só podem ser realizados em crianças a partir de 7 anos pois, abaixo desta idade, as respostas podem ser menos precisas.

Tratamento

Não existe cura para o distúrbio do processamento auditivo central. Mas, a boa notícia é que há diversas intervenções que podem ser feitas no sentido de melhorar a capacidade para se comunicar melhor no cotidiano.

Geralmente, o tratamento é realizado desde a infância até a adolescência. Nesta fase, as vias auditivas ainda estão em desenvolvimento e a probabilidade do indivíduo ter uma vida normal é maior.

O tratamento para o problema auditivo é específico para cada pessoa e envolve treinamento auditivo, intervenções na escola, em casa e com todos que convivem com a pessoa.

Treinamento auditivo

Para superar a dificuldade auditiva, o paciente pode realizar uma terapia de audição com o fonoaudiólogo. Durante as sessões, o profissional aplica uma série de tarefas com o intuito de treinar seu cérebro para analisar melhor o som.

Algumas dessas atividades incluem:

● Treinamento para diferenciar sons, primeiramente em um ambiente silencioso e, em seguida, com um ruído de fundo que aumenta gradualmente;

● Atividades para aguçar a memória auditiva que envolve a identificação e repetição de sons para exercitar os “músculos” auditivos.

Intervenções na sala de aula

Os pais de estudantes com DPAC devem informar aos professores e funcionários da escola sobre o problema auditivo e como isso pode afetar o aprendizado. Alguns ajustes simples podem ser feitos para tornar o ambiente escolar adequado:

● Deixar a criança sentada nas carteiras da frente da sala de aula. Dessa maneira ela ficará mais distante dos ruídos de fundo e conseguirá ouvir o professor com mais clareza;

● Melhorar a acústica do local fechando uma janela ou porta, colocando tapetes e cortinas para absorver o som podem ajudar;

● Pedir para que o professor verifique se a criança entendeu uma explicação;

● Usar instruções escritas e verbais para as tarefas escolares.

Mudanças em casa

A família também tem um papel importante para reduzir os déficits funcionais de quem sofre com o DPAC. As dicas a seguir podem ser bem úteis:

● Antes de iniciar uma conversa, certifique-se de que a pessoa está pronta para ouvir e olhando para você;

● Fale devagar e use frases simples e curtas;

● Reduza o ruído sempre que possível;

● Se precisar fazer uma instrução sobre uma tarefa que deve ser concluída mais tarde, tente escrever notas e usar um relógio. Isso ajuda a manter a organização geral no ambiente doméstico.

Seguindo essas e outras intervenções, o distúrbio do processamento auditivo central se torna um problema mais brando ao longo do tempo. Isso porque os pacientes desenvolvem habilidades para lidar com a dificuldade auditiva e aprendem a se comunicar com outras pessoas em diferentes situações. E, embora as crianças precisem de apoio extra na escola, elas podem ter um desempenho escolar tão positivo como qualquer outro colega de classe.