Categoria: Curiosidades.

Os aparelhos auditivos funcionam bem para pessoas com níveis variados de perda de audição, mas em casos de surdez profunda são recomendados os implantes cocleares. Os tradicionais aparelhos auditivos funcionam bem para pessoas com níveis variados de perda de audição, mas eles não podem restaurar o som para as pessoas que têm surdez profunda. Os implantes cocleares funcionam melhor em pessoas com danos auditivos mais severos porque se desviam das partes danificadas do ouvido e enviam as informações sonoras diretamente ao nervo auditivo como sinais elétricos.

Os implantes cocleares podem ser usados sozinhos ou com aparelhos auditivos tradicionais em pessoas que têm perda auditiva moderada para algumas frequências, mas uma perda auditiva mais severa em outras frequências. É uma tecnologia que nasceu na década de 1950 quando os médicos franceses André Djourno e Charles Eyriès descreveram pela primeira vez os efeitos da estimulação do nervo auditivo em um indivíduo surdo, com a colocação de fio metálico no nervo auditivo do paciente submetido à cirurgia do nervo facial.
Em 1977 o primeiro brasileiro recebeu um implante monocanal desenvolvido pelo Ear Research Institute de Los Angeles.

Atualmente, estima-se que existam cerca de 100 mil pacientes com implante coclear em todo o mundo.

O que é o Implante Coclear?

Conhecido popularmente como ouvido biônico, o implante coclear é um dispositivo eletrônico que tem o objetivo de substituir as funções das células do ouvido interno de pessoas com surdez profunda que não são beneficiadas pelo uso de aparelhos auditivos. É um equipamento implantado cirurgicamente na orelha que tem a função de estimular o nervo auditivo e recriar as sensações sonoras.

O implante coclear é composto de dois sistemas principais: um externo e um interno. A parte interna é formada por um receptor e um arranjo de eletrodos que fica posicionado dentro da cóclea (órgão da audição com formato de caracol). Eles se conectam a um receptor, que funciona como um decodificador, implantado na região atrás da orelha, por baixo da pele. Com o receptor, ficam uma antena e um imã, que servem para fixar a unidade externa e captar os sinais elétricos.

A unidade interna normalmente funciona por radiofrequência, ou seja, o mesmo meio usado para transmitir informações para a unidade interna é responsável pelo funcionamento dela.

A parte externa é composta por um processador de fala, uma antena transmissora e um microfone. Esta é a parte do implante que fica aparente.

Quais os tipos de implante coclear?

Os modelos de implante coclear se diferenciam pelo número e pela configuração dos eletrodos, pela chamada telemetria de respostas neurais (NRT), localização do microfone externo, pelo sistema de programação, design e tecnologia do processador de fala. De maneira geral, eles podem ser divididos em dois tipos: retroauricular, que se encaixa atrás da orelha, ou tipo caixa, um dispositivo quadrado.

Como funciona o implante coclear?

 

O microfone capta o som e o transmite ao processador de fala, que analisa os sinais sonoros e os codifica em impulsos elétricos que serão transmitidos até a antena. De lá, o sinal é conduzido através da pele por meio de radiofrequência e chega até receptor interno. O chip do receptor converte os códigos em sinais eletrônicos e libera os impulsos elétricos para os eletrodos intracocleares estimularem diretamente as fibras no nervo auditivo.

O estímulo é percebido pelo cérebro de quem usa o implante como som. Com isso, o paciente pode recuperar parte da audição.

Funcionamento de um Implante Coclear

Quais são as principais vantagens do implante coclear?

  • Melhora dos níveis de audição
  • Contribui para o desenvolvimento de fala e linguagem compatíveis com a idade
  • Melhora a autoestima e a confiança dos pacientes e favorece o relacionamento e a comunicação com familiares, amigos, colegas de trabalho e a sociedade em geral

Quais as diferenças entre os aparelhos auditivos e o implante coclear?

A função dos aparelhos de audição é amplificar os sons para que pessoas com perdas auditivas possam ouvir melhor. É como se o equipamento aumentasse os sons do ambiente. A questão é que isso só funciona para quem já ouve.

O implante coclear, por sua vez, não aumenta os sons. Ele é um estimulador elétrico com o objetivo de “imitar” as funções do ouvido que são a captação do som, transformação dele em estímulo elétrico e, depois, a ativação do nervo auditivo diretamente.

Quem pode ser beneficiado pelo implante coclear?

De uma maneira geral, o dispositivo é indicado para pacientes com surdez sensorial e bilateral e que não obtiveram resposta satisfatória com o uso de próteses auditivas convencionais.

Quando o assunto é o implante coclear, o tempo de surdez também se torna fator importante: quanto mais tempo o paciente fica sem escutar, mais difícil será sua reabilitação.
Independentemente do caso, é preciso que o paciente passe por uma avaliação detalhada de um grupo especializado em diagnóstico e tratamento da surdez.

Quais os critérios básicos de indicação do implante coclear?

Pacientes pós-linguais

Deficiência auditiva neurossensorial bilateral de grau severo a profundo que não se beneficiarem do aparelho de amplificação sonora individual (AASI), ou seja, apresentarem escores inferiores a 40% em testes de reconhecimento de sentenças com o uso da melhor protetização bilateral possível. Não existe limite de tempo para a realização do implante coclear neste grupo, porém quanto maior o tempo de surdez, piores serão os resultados.

Pacientes pré-linguais

Deficiência auditiva neurossensorial bilateral de grau severo a profundo, com reabilitação fonoaudiológica efetiva há pelo menos 6 meses (crianças de 0 a 18 meses) ou desde a realização do diagnóstico (crianças maiores de 18 meses), que não se beneficiarem do aparelho de amplificação sonora individual (AASI). Neste grupo a idade do paciente é importante. Nas crianças, a idade ideal é entre 1 e 5 anos de idade, sendo que quanto mais precocemente o paciente é implantado, melhores serão os resultados.
A partir dos 5 anos os pacientes também podem ser implantados, porém os resultados dependerão de outros fatores como o grau de desenvolvimento da linguagem já adquirida e de um trabalho de estimulação auditiva prévia, como uso de prótese auditiva e capacidade de realização de leitura orofacial e linguagem de sinais.

Quais exames são necessários para avaliação do Implante Coclear?

Na maioria dos casos, os exames solicitados são: avaliação audiológica, tomografia computadorizada e ressonância magnética dos ossos temporais. Mas os pacientes também passam por exames psicológicos.

Como é a cirurgia?

O paciente normalmente é internado na véspera da cirurgia e tem alta um dia depois. Para que os médicos possam inserir o receptor e os eletrodos, é preciso que o paciente raspe uma faixa de cabelo de aproximadamente três cm do lado do ouvido em que será colocado o implante coclear.

A técnica usada durante a cirurgia pode variar de acordo com o implante, mas é realizado com anestesia geral e dura cerca de 2 horas. Para se chegar ao local onde são posicionados os eletrodos, os cirurgiões precisam realizar um corte de cerca de quatro cm, atrás da orelha, em uma área que fica próxima ao nervo facial.

Além de ser experiente, a equipe deve utilizar um monitor facial para que não haja erro.

Onde fazer um implante coclear?

O implante coclear pode ser feito na rede pública pelo SUS (Sistema Único de Saúde) ou pela rede privada.

Como é o período pós-cirúrgico?

Na maioria dos casos o paciente recebe alta no dia seguinte da cirurgia e os pontos são retirados em duas semanas. Nos três dias que se seguem logo após a implantação do dispositivo, o paciente deve evitar lavar a cabeça. Após esse período, pode tomar banho normalmente, mas protegendo o ouvido com um tampão. Cuidados como dormir com o lado operado para cima por, em média, 15 dias, não fazer esforço físico e tomar a medicação prescrita também são importantes.

Em média, a ativação do implante coclear ocorre 30 a 40 dias após o procedimento.

Nesse período, inicia-se um processo de adaptação do paciente ao implante coclear com consultas com uma fonoaudióloga.

Como é o som que o paciente com implante coclear escuta?

A maneira como o paciente vai escutar os sons depende de vários fatores como o tempo de que ele ficou sem ouvir, as causas da surdez, a estratégia de estimulação usada, a quantidade de eletrodos implantados. É uma experiência bastante individual.

O implante coclear permite que a pessoa implantada volte a ouvir sons, mas certamente não se trata de uma audição normal. Alguns pacientes implantados conseguem até falar ao telefone, já outros percebem apenas os sons sem conseguir compreender a fala.

Pessoas que ouviam normalmente vieram a perder a audição dizem que o som proporcionado pelo implante coclear é um tanto robótico, metálico, mas é sem dúvida uma alternativa importante para quem tem surdez profunda.

Conheça alguns cuidados importantes para quem utiliza Implante Coclear

O implante coclear é uma prótese e pode quebrar se sofrer um traumatismo sobre ela. O paciente implantado não deve praticar esportes violentos como lutas ou outras atividades com grande risco de bater a cabeça.

É proibido:

  • Realizar exame de ressonância magnética ou chegar perto da sala de exame: o implante é composto de um metal que pode ser atraído violentamente pelo aparelho de ressonância magnética podendo levar a complicações graves. Existem alguns modelos que permitem realizar o exame em condições muito especiais, mas é obrigatório avisar o seu otorrino e o radiologista sempre que for solicitado um exame de ressonância magnética.
  • Manter o aparelho desligado no pouso e na decolagem de aeronaves: funciona como qualquer aparelho eletrônico e pode interferir nos aparelhos de controle da aeronave. Manter o implante desligado no pouso e na decolagem.
  • Uso de bisturi elétrico: é proibido o seu uso em pacientes com implante coclear, pois podem queimar a unidade interna. Avisar o médico toda vez que for ser submetido a uma cirurgia.

Podem ser realizados sem problemas:

  • Ultrassonografia diagnóstica.
  • Radiografia simples.
  • Tomografia computadorizada.
  • Luz ultravioleta de clínicas odontológicas.

Podem alterar o funcionamento do implante coclear:

  • Sistema de detectores de metais: o implante coclear irá disparar toda vez que passar por estes dispositivos (geralmente estão presentes em portas de bancos e aeroportos). Por isso, é aconselhável andar sempre com o comprovante emitido pelo fabricante, comprovando que o paciente é mesmo implantado.
  • Radiação eletromagnética: monitores de computador, televisores, forno de m micro-ondas. A proximidade destes dispositivos podem alterar a qualidade sonora ou interferir na transmissão de dados entre as unidades interna e externa.
  • Sistema de vigilância de lojas: desligar o aparelho quando for passar através da porta de lojas que possuem sistema eletrônico de vigilância (são aqueles aparelhos que apitam quando alguém tenta sair com um produto sem passar pelo caixa). O implante coclear geralmente não dispara estes aparelhos, mas pode ocorrer distorção no som e desconforto para o usuário de implante.