Excesso de buzina interfere na saúde auditiva

Barulho comum no trânsito, a buzina é uma das principais inimigas da audição

Pouca gente sabe, mas buzinar sem necessidade é uma infração de trânsito. São mais de 2,7 milhões de motoristas no Rio e cerca de 1% já foi multado este ano por exagerar na buzina.

Cariocas não gostam de sinal fechado. Basta demorar um pouco pra andar com o carro para ouvir o som típico do trânsito do Rio. Muitas pessoas agem como se a buzina fizesse o trânsito seguir. “Buzinar porque eu sabia que o sinal ia fechar e eu estou com um pouquinho de pressa”, alegou um motorista na Zona Norte.

Pouca gente sabe, mas buzinar sem necessidade é uma infração de trânsito. É considerada leve, com multa e três pontos a mais na carteira. Buzinar só é permitido com um toque breve, para alertar sobre um possível acidente. Um hábito que, infelizmente, rodando pelas ruas da cidade, a gente vê que o carioca conhece muito pouco.

Há regras claras no código brasileiro de trânsito: É passível de multa quem buzina de forma prolongada e sucessiva por qualquer motivo; entre 22h e 6h e em locais proibidos por sinalização, como hospitais, por exemplo.

Excesso de barulho prejudica audição

A convite do Bom Dia Rio, um engenheiro especialista em medicina e segurança do trabalho percorreu diferentes pontos da cidade com a equipe da Globo. Ele faz frequentes pesquisas sobre ruídos dos grandes centros. Com um decibelímetro, aparelho capaz de medir o barulho ambiente, foram realizadas medições na esquina das avenidas Presidente Vargas com Rio Branco, um dos trechos mais movimentados da cidade. Da calçada, a passagem de um carro com sirene ligada chega a 92 decibéis e meio, um nível acima do aceitável.

“O máximo recomendável é de 80 decibéis para não termos problemas de saúde. Na verdade, teoricamente, a gente não devia passar de 65 decibéis em termos de estresse, em termos de conforto auditivo”, afirmou o engenheiro e perito David Gurevitz. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, ruído acima de 80 decibéis pode causar danos auditivos irreversíveis.


Mas basta a passagem de um ônibus para esse índice ser desrespeitado. No mergulhão da Praça 15, o trânsito intenso num ambiente abafado piora o barulho. No local, o equipamento mediu mais de 100 decibéis, sem contar as buzinas.

No cruzamento da Avenida Rio Branco com a Rua Almirante Barroso o aparelho mediu pouco mais de 82 decibéis, o que é bem longe do ideal. A esquina da Rua Figueiredo de Magalhães e a Avenida Nossa Senhora de Copacabana é um dos cruzamentos mais barulhentos da cidade. No local, o aparelho chegou a medir 97,1 decibéis. Comparativamente, uma música alta de uma boate chega a 110 decibéis.

O mais preocupante é que a exposição contínua a níveis tão altos de ruídos traz consequências à saúde. A perda da audição ocorre de forma gradativa. “Risco à saúde do nosso ouvido, risco de termos perdas auditivas, a formarmos surdos”, afirmou David.

A Guarda Municipal é a responsável pela fiscalização quanto ao uso excessivo da buzina. Dados do Detran mostram que o carioca gosta mesmo de buzinar. O uso prolongado e sucessivo do equipamento a qualquer pretexto gerou 803 multas de janeiro a setembro deste ano. Outros tipos de infrações relacionadas os uso indevido da buzina somaram 1225 multas no mesmo período.

Fonte: www.g1.globo.com