Uso de aparelhos auditivos diminui casos de depressão em idosas

Por Gabriela Bandoni
Fono Especialista

20 de março de 2017


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Aparelhos auditivos reduzem depressão em idosas

Com o uso das próteses auditivas, idosas mudaram jeito de encarar a vida


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Um estudo da Faculdade de Ciências Médicas, da Unicamp, apontou que o uso de aparelhos auditivos pode atenuar a depressão em mulheres idosas com perdas auditivas. Antes de utilizar as próteses, elas alegavam que a vida estava vazia e sentiam-se frequentemente aborrecidas, sem energia e sem esperança.

Mas, após fazerem uso das próteses auditivas, elas perceberam uma mudança na sua maneira de encarar a vida. Segundo a fonoaudióloga Virgínia Chaves Paiva de Queiroz, autora da dissertação, as pacientes não tiveram mais queixas de origem depressiva após o uso do aparelho auditivo.


Como funcionou a pesquisa

Desenvolvido no Hospital de Clínicas da Unicamp, o levantamento considerou  40 idosos com idade superior a 65 anos, de ambos os sexos, atendidos no Ambulatório de Saúde Auditiva e no Ambulatório de Otorrinogeriatria entre 2011 e 2014.

A renda mensal, faixa etária, a escolaridade e o grau de perda auditiva não influenciaram os sintomas depressivos.  O uso das próteses auditivas eliminou os sintomas depressivos nas mulheres, e, portanto, a ideia é indicá-las sempre que necessário. Já os homens demonstravam muita dificuldade em expressar seus sentimentos.

Critérios de recrutamento

O principal critério para recrutamento foi a presbiacusia e indicação para uso de aparelhos auditivos. Durante o processo de seleção, os pacientes respondiam a um questionário, com uma escala de depressão geriátrica (GDS), um instrumento de rastreio e anamnese muito utilizado de rotina no Ambulatório de Geriatria da Unicamp.

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A GDS tinha 15 perguntas e as respostas eram do tipo sim ou não. Algumas das perguntas eram “está satisfeito com a vida?”, “acha que outras pessoas são mais felizes que você?”, “acha bom estar vivo?”, “sente-se inútil?”, “sente-se sem esperança?”.

As mulheres pontuaram mais que os homens em termos de sintomas depressivos. Eles respondiam automaticamente sim ou não.

Sentimentos isolados

Uma das poucas queixas dos homens é que moravam com filhos que trabalhavam o dia todo e ficavam sozinhos. Tinham medo de que algo de ruim lhes acontecesse e permaneciam longas horas na frente da televisão.

O questionário também foi aplicado quatro meses após as pacientes receberem aparelhos auditivos. Esse prazo está relacionado ao tempo de adaptação que o cérebro para se reprogramar para escutar com a amplificação do aparelho auditivo.

O estudo da fonoaudióloga faz um alerta e serve para orientar os profissionais da saúde a insistirem na importância das próteses auditivas. Segundo a pesquisadora, o paciente tem que receber um bom suporte para não abandonar o aparelho auditivo.

Dicas para se adaptar ao aparelho auditivo

 

A adaptação ao aparelho auditivo requer dedicação e paciência. Se uma pessoa tem perda auditiva há muito tempo, vai ter que se adaptar aos poucos ao aparelho. Isso acontece porque o cérebro sem estímulo sonoro precisa ir se reacostumando à habilidade de ouvir. Dessa maneira, ela pode estranhar qualquer tipo de ruído.

Confira algumas dicas que podem ajudar nesse processo:

  •  Comece a usar o aparelho gradualmente. Use-o em casa durante períodos curtos e vá aumentando conforme se sinta confortável
  •  Acostume-se aos poucos. Não tenha pressa. É normal estranhar os sons
  •  Quando estiver em casa, treine identificar os sons. O barulho do relógio, os passos dos moradores, a água na torneira, por exemplo
  •  Pratique o reconhecimento da sua voz lendo alguma coisa em voz alta
  •  No início, pratique a conversação com uma pessoa por vez
  • A medida em que for se adaptando, amplie a conversação para mais pessoas. Preste atenção nos timbres de voz diferentes
  • Se for assistir TV ou rádio, comece por ouvir programas com menos vozes, como o noticiário
  • Se sentir dor ou qualquer incômodo, procure sua fonoaudióloga