Categoria: Perda Auditiva.

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Embora os problemas auditivos possam aparecer em qualquer idade, a atenção dada ao tema ainda durante a primeira infância até a pré-adolescência é essencial. Segundo a fonoaudióloga e Diretora Técnica da Direito de Ouvir, Andréa Varalta Abrahão, quando a perda auditiva é detectada precocemente, mais chances de o desenvolvimento da criança com problemas auditivos. A especialista comenta os principais aspectos a serem observados a cada fase da vida da criança:

No nascimento

Na primeira infância, o teste da orelhinha ou triagem auditiva neonatal oferece a chance de diagnóstico precoce da deficiência auditiva. “O teste, obrigatório desde 2010, é feito ainda na maternidade e colocar no ouvido do bebê um pequeno fone, acoplado a um computador, que emite um som de baixa frequência e mede as respostas dos ouvidos médios aos estímulos sonoros”, explica Abrahão.

Quando o diagnóstico é positivo, o bebê é encaminhado para o médico otorrinolaringologista, que irá orientar o tratamento para o problema. “Identificar o déficit auditivo na primeira idade significa assegurar a obtenção da fala, evitando o comprometimento do desenvolvimento social e emocional da criança.”

O exame é realizado pelo menos dois dias após o nascimento e entre o segundo e terceiro mês de vida do bebê. Dados da Academia Americana de Pediatria revelam que pelo menos um a três bebês a cada mil nascidos têm diagnosticada deficiência auditiva.

Na infância

A descoberta precoce da deficiência auditiva é indispensável para que, no caso de intervenção, o início do tratamento seja imediato. Isso reduz potenciais consequências emocionais do convívio social, como isolamento, não aceitação, vergonha para se comunicar, dentre outros problemas secundários.  “O diagnóstico tardio pode atrasar o desenvolvimento da fala da criança e também comprometer o rendimento quando ela já frequenta a escola. Identificar o problema e buscar a ajuda é essencial para que a criança com perda auditiva se desenvolva de forma muito similar à criança ouvinte”, afirma a especialista.

Em qualquer idade, quando há indicação de uso de aparelho auditivo, a tecnologia permite que, esteticamente, a adaptação seja fácil e o dispositivo quase imperceptível.

Na pré- adolescência

Na fase de pré-adolescência também é importante que a família esteja atenta à criança, para perceber se ela apresenta alguma dificuldade de interagir ou de entendimento – de conteúdo ministrado pelo professor na escola, por exemplo. “Esses podem ser sintomas da perda auditiva”, alerta a fonoaudióloga.

O exame de audiometria é uma medida de precaução, que pode avaliar se a capacidade auditiva do pré-adolescente permanece preservada. A audiometria é um exame preventivo, muito recomendado para diagnósticos, que pode detectar possíveis alterações quando há suspeita de perda auditiva, histórico de hereditariedade ou quando o ocorrem traumas por infecções, suspeita de ruptura de tímpano ou influência de uso de medicamentos.

Segundo Abrahão, outros exames, mais complexos, também podem ser necessários quando há suspeita de perda auditiva, como a imitanciomentria, Bera e emissões otoacústicas. Também há casos que demandam a realização de radiografia e tomografia computadorizada. “Havendo a suspeita do problema, o procedimento usual é a consulta ao médico otorrino, que fará o encaminhamento para a fono.”

Como prevenir a perda auditiva?

A prevenção ainda inclui o cuidado com a higiene dos ouvidos  – o ideal é não inserir hastes flexíveis ou qualquer objeto dentro do conduto auditivo para não ferir o tímpano – e a não exposição a ruídos excessivos por tempo prolongado. A recomendação da especialista é que os pais mantenham em um volume adequado – menos de 80% do máximo – os fones de ouvido para música ou os jogos eletrônicos.