Categoria: Audição, Imprensa.

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Um estudo realizado recentemente por pesquisadores brasileiros confirmou que o vírus zika, transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti, também é responsável por causar surdez em bebês cujas mães foram infectadas durante a gestação.

A pesquisa foi publicada pelo Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos da América no dia 30 de Agosto. Segundo os dados colhidos pela equipe liderada pela Dra. Marcela Leal, do Hospital Agamenon Magalhães, cerca de 6% dos 70 bebês examinados teve perda de audição por conta do vírus, já que as outras possíveis causas para perda auditiva (como: CMV, rubéola e citomegalovírus) deles haviam sido descartadas durante os exames.

Esses dados são alarmantes e incluem mais uma doença na lista de problemas causados pelo vírus zika. Somente no período de janeiro a agosto deste ano, foram registrados mais de 174 mil possíveis casos de infecções por zika no Brasil. Esse fato é preocupante, principalmente quando gestantes são infectadas pelo vírus, já que, além da perda auditiva, o vírus também causa microcefalia, artogripose (alteração nas juntas), problemas de visão e diversos outras anomalias nos bebês.

Dessa forma, o vírus acaba de entrar para o grupo de fatores de risco para perda de audição, sendo que as crianças que não apresentam problemas auditivos, mas cujas mães foram infectadas pelo zika durante a gestação, deverão fazer acompanhamento regular com fonoaudiólogos, já que existe a possibilidade que elas desenvolvam a perda progressiva das capacidades auditivas.

Entre 2015 e julho de 2016 forma registrados 266 casos de microcefalia causados pelo vírus no país, segundo dados do Ministério da Saúde.

Sobre o zika vírus

O zika vírus foi identificado pela primeira vez por pesquisadores em 1947 em um macaco na floresta Zika, na Uganda, país localizado no continente Africano, mas foi em 2015 que o Brasil enfrentou o primeiro grande surto da doença. Rapidamente ela se espalhou pelo país, sendo que um dos fatores que possibilitaram que isso ocorresse foi o seu meio de transmissão: o mosquito Aedes Aegypit, também causador da dengue e da febre chikungunya.

Em dezembro de 2015 a OMS emitiu um alerta mundial sobre a epidemia do vírus. Além de causar a microcefalia, o zika também pode causar o desenvolvimento da síndrome de Guillan-Barré, perda auditiva, problemas de visão e diversos outras doenças em bebês de mães infectadas durante a gravidez.

A síndrome de Guillan-Barré é  uma doença na qual o  próprio sistema imunológico ataca as células nervosas da pessoa. Isso pode ocasionar fraqueza muscular e, por vezes, paralisia.

Sintomas do zika

Pessoas infectadas pelo zika vírus normalmente apresentam febre intermitente, erupções na pele, coceira e dor muscular – sintomas que tendem a desaparecer espontaneamente em um período de 3 até 7 dias. Como não há um tratamento específico para a doença, os médicos recomendam o uso de paracetamol ou dipirona para o controle de febre. O uso de ácido acetilsalicílico não é recomendado, assim como nos casos de dengue, por aumentar o risco de hemorragias.

A melhor forma de se proteger ainda é evitar a proliferação de focos do mosquito Aedes Aegypti:

  • Elimine os focos de água parada – O mosquito precisa da água parada para colocar seus ovos. Vasos, tampas, garrafas, potes de animais doméstico…o qualquer lugar que possa acumular o mínimo de água pode virar um foco da doença. Lave os objetos com frequencia para evitar os ovos, cubra caixas de água e reservatórios, como as piscinas, e limpe as calhas. Estima-se que 90% dos focos do Aedes estejam dentro dos domicílios
  • Use repelentes – O Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC) recomenda a utilização de repelentes à base de n,n-Dietil-meta-toluamida (DEET) ou icaridina
  • Use roupas compridas – Principalmente para mulheres grávidas, a recomendação é que as pessoas se protejam com roupas que deixem poucas partes do corpo expostas ao mosquito
  • Cuide do seu lixo – Ele pode se tornar um criadouro do mosquito
  • Fumacê – Essa estratégia contra a dengue pode ajudar na inibição do mosquito Aedes aegypt
  • Evite viagens – Se puder, evite ir para locais de focos intensos da doença. Se não for possível cancelar a viagem, redobre os cuidados