Categoria: Audição, Imprensa, Perda Auditiva.

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Um estudo realizado na Universidade Norte do Paraná apontou que existe relação entre a hipertensão arterial e a perda auditiva. A pressão alta também age como fator de aceleração da degeneração do aparelho auditivo.

Segundo especialista,  artrite, hipertensão arterial e perda auditiva são os três problemas crônicos mais frequentemente encontrados em idosos. A Sociedade Brasileira de Hipertensão aponta que a pressão alta é caracterizada por uma pressão arterial, sistematicamente, igual ou maior que 14 por 9. A pressão se eleva por vários motivos, mas principalmente porque os vasos nos quais o sangue circula se contraem. O coração e os vasos podem ser comparados a uma torneira aberta ligada a vários esguichos. Se fecharmos a ponta dos esguichos a pressão lá dentro aumenta. O mesmo ocorre quando o coração bombeia o sangue. Se os vasos são estreitados a pressão sobe.

Considerada uma doença silenciosa, a hipertensão é uma das enfermidades que mais causa complicações graves, como  acidente vascular cerebral e a insuficiência, cardíaca, renal e vascular periférica. De acordo com o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 1990, existem hoje 90 milhões de brasileiros com idade superior a 20 anos. Tomando-se como 20% a prevalência da hipertensão arterial, conclui-se que, no mínimo, 18 milhões de brasileiros sejam hipertensos, dos quais 50% ignoram ser portadores da doença.

Entenda a pesquisa

Fizeram parte da pesquisa 308 indivíduos de meia idade (entre 45 e 64 anos). Desse total, foram excluídos pacientes com história prévia de distúrbios auditivos específicos (tais como rubéola e traumatismos cranianos), de distúrbios metabólicos específicos (como, diabetes), e de distúrbios vasculares específicos (como, acidente vascular cerebral).

Também ficaram de fora pessoas que trabalham ou trabalharam em ambiente passível de propiciar o aparecimento de perda auditiva induzida por ruído, pacientes portadores de nefropatia e com história de internamentos ou ingestão de medicamentos com drogas potencialmente ototóxicas.

Os pacientes passaram por uma anamnese audiológica utilizada na rotina de atendimentos no setor de audiologia da UNOPAR, com um protocolo para anamnese e audiometria tonal limiar.

Perfil das pessoas analisadas

Dos pacientes verificados no estudo, 72 apresentaram perda auditiva e hipertensão arterial, 82 apresentaram perda auditiva e não apresentaram hipertensão arterial, 46 não apresentaram perda auditiva, mas apresentaram hipertensão arterial e 108 não apresentaram perda auditiva nem hipertensão arterial.

A maioria dos indivíduos desta pesquisa não era fumante, sendo que no grupo de indivíduos com perda auditiva e hipertensão arterial 84,7% não fumavam.As pessoas que fizeram parte do estudo não faziam uso de bebidas alcoólicas, sendo que no grupo de indivíduos com perda auditiva e hipertensão arterial 94,4% referiram que não ingeriam bebidas alcoólicas; no grupo com perda auditiva e sem hipertensão arterial 96,3%, no grupo sem perda auditiva e com hipertensão arterial 100% e no grupo sem hipertensão arterial e sem perda auditiva 94,4% referiram o mesmo.

Quanto à prática de exercícios físicos, no grupo de indivíduos com perda auditiva e hipertensão arterial 63,9% referiram que não praticavam algum tipo de exercício; no grupo com perda auditiva e sem hipertensão arterial, 65,9%, no grupo sem perda auditiva e com hipertensão arterial, 67,4% e no grupo sem hipertensão arterial e sem perda auditiva 68,5% referiram o mesmo.

Hipertensão x perda auditiva

No que se refere ao tipo da perda auditiva na população de estudo, tanto os indivíduos com hipertensão arterial, quanto os sem hipertensão arterial apresentaram uma freqüência semelhante de perda auditiva neurossensorial, sendo que no primeiro grupo 83,7% dos ouvidos apresentaram a citada perda, enquanto que no segundo grupo 81,8% apresentaram a mesma.

Quanto ao grau da perda auditiva na população de estudo, tanto os indivíduos com hipertensão arterial, quanto os sem hipertensão arterial, apresentaram uma freqüência semelhante de perda auditiva leve, sendo que no primeiro grupo 62,0% das orelhas apresentaram o citado grau de perda, enquanto que no segundo grupo 63,6% apresentaram o mesmo.

Alerta e cuidados

A pesquisa constatou que existe associação significativa entre hipertensão arterial e presença de perda auditiva e que a perda auditiva observada nesta população sugere que a hipertensão arterial age como fator de aceleração da degeneração do aparelho auditivo.

Para evitar a concomitância do problema é importante que o sistema de saúde invista cada vez mais em  processos preventivos que minimizem os mecanismos de deterioração do sistema de audição ocasionados por problemas circulatórios e em especial pela hipertensão arterial.