Categoria: Prevenção da Perda Auditiva.


Segundo um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) feito em 2011, o excesso de ruído é o segundo tipo de poluição que causa mais doenças no mundo. Além disso, outro cuidado necessário é com os agentes químicos, que também podem causar alguns malefícios.

“Os produtos químicos ototóxicos que apresentam comprovados efeitos nocivos à audição são alguns solventes orgânicos, como o tolueno e o xileno (muito presentes em indústrias gráficas e setores de pintura de automóveis nas tintas e no thinner utilizado), o n-hexano, componente da benzina também utilizado na limpeza de chapas de acetato em gráficas, o tri e o tetracloroetileno, presentes em galvânicas e setor de limpeza de metais, e a gasolina, muito presente em indústrias petroquímicas e postos de gasolina”, explica a fonoaudióloga Alice Penna de Azevedo Bernardi, da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia.

Ainda de acordo com a especialista, a maioria dos processos produtivos envolve exposições a níveis de pressão sonora acima dos limites de tolerância de 85 dB por 8 horas de trabalho previstos pela NR-15 do Ministério do Trabalho. No entanto, os processos produtivos que envolvem maiores riscos são as mineradoras e beneficiamento de pedras e mármore, metalúrgicas, vidrarias, construção civil, gráficas (que também envolvem exposição simultânea a solventes) e atividades de condutores de ônibus e caminhões.

Confira na tabela o tempo de exposição sonora diária permissível para o nível de pressão sonora ambiental.

Tabela Pressão Sonora / Exposição Diária Permissível

 

Nível de pressão sonora – NPS dB(A)

Máxima exposição diária permissível

85

8 Horas

86

7 Horas

87

6 Horas

88

5 Horas

89

4 Horas e 30 minutos

90

4 Horas

91

3 Horas e 30 minutos

92

3 Horas

93

2 Horas e 40 minutos

94

2 Horas e 15 minutos

95

2 Horas

96

1 Hora e 45 minutos

98

1 Hora e 15 minutos

100

1 Horas

102

45 Minutos

104

35 Minutos

105

30 Minutos

106

25 Minutos

108

20 Minutos

110

15 Minutos

112

10 Minutos

114

8 Minutos

115

7 Minutos

Cuidados com a prevenção

Os protetores auditivos são medidas preventivas importantes quando tratamos da exposição sonora excessiva. Porém, sua eficácia pode ser extremamente variável, principalmente quando o usuário não faz a correta colocação deles. Nos casos de protetores do tipo plug, que são inseridos dentro do conduto, pode haver ainda dificuldade na vedação completa do conduto auditivo, reduzindo sua eficácia em até 80%.

“Outra variável importante é o treinamento ministrado ao trabalhador. A legislação trabalhista brasileira obriga as empresas não só a fornecerem os protetores auditivos indicados para cada tipo de exposição, como também ministrarem treinamentos periódicos para sua utilização correta, bem como fiscalizarem e tornarem obrigatório o seu uso. Nesse sentido, é importante que o treinamento seja ministrado de maneira a promover motivação e sensibilização para o seu uso contínuo”, destaca Alice.

A fonoaudióloga completa que, por esses motivos, o protetor não deve ser a única e principal ferramenta para a prevenção das perdas auditivas. Eles devem ser adotados como uma medida complementar e as empresas devem investir principalmente nas medidas de proteção coletivas que envolvem projetos de melhorias ambientais, como redução do ruído na fonte ou na sua propagação por meio da utilização de materiais isolantes e absorventes de ruído.

Profissões que oferecem mais risco para a audição

Acredite se quiser: os professores estão entre os profissionais que mais sofrem perda auditivas. Segundo um estudo realizado pela Wakefield Research for EPIC Hearing Healthcare, 15% dos docentes americanos foram diagnosticados com perdas auditivas. Entre demais profissionais, esse número não ultrapassou 12%. Leia mais aqui.

Mas outras profissões também oferecem riscos para a audição. Bombeiros, frentistas estão entre os mais prejudicados. Conheça outros oito trabalhos que podem ser prejudiciais para a audição aqui.

Baseado em: www.idmed.terra.com.br