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Deficientes auditivos tiram nota máxima no Enem

 

Nem sempre a vida escolar dos deficientes auditivos é um sinônimo de problemas de aprendizagem. É o que provam o estudante mineiro Cezar Vitor Vieira Pinheiro e a funcionária pública acreana Oziany Silva de Lima Lindoso. Os dois têm deficiências auditivas, mas superaram as dificuldades e as expectativas e tiraram mil, a nota máxima na redação na prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), em 2014.

Além da deficiência auditiva, os dois têm em comum trajetórias de muita superação. Já enfrentaram preconceitos dos colegas nas escolas onde estudaram, precisaram se esforçar em dobro para aprender o conteúdo das aulas, mas, mesmo assim conseguiram driblar todos estes obstáculos e se mostraram verdadeiras inspirações tanto para estudantes que são deficientes auditivos quanto para os ouvintes.

Com o bom desempenho que tiveram no Enem, ficaram ainda mais motivados a servirem de exemplo para outros deficientes auditivos. Conheça a seguir as histórias de vida inspiradoras de Cezar e Oziany.

ESFORÇO EM DOBRO

Com a capacidade auditiva reduzida pela metade nos dois ouvidos, o adolescente Cezar Vitor Vieira Pinheiro, de 14 anos, foi um dos 250 candidatos que tirou mil, a nota máxima na redação do Enem.

Aluno do 9º ano do Ensino Fundamental de São Sebastião do Maranhão, cidade com cerca de 10 mil habitantes em Minas Gerais, ele perdeu parte da audição depois de uma febre repentina, aos 3 anos.

Cezar usa aparelho auditivo, mas mesmo assim precisa prestar atenção em dobro para entender o conteúdo passado pelos professores. Apesar de todas essas dificuldades, ele conta que nunca se deixou desanimar. Com o bom desempenho no Enem, o estudante ficou ainda mais motivado: ele pensa em cursar Medicina ou Direito.

Conheça mais sobre a inspiradora história de Cezar aqui.

VENCENDO PRECONCEITOS

Formada em história e funcionária da Universidade Federal do Acre, acrena Oziany Silva de Lima Lindoso, de 33 anos, também ficou entre os 250 candidatos nota 1000 na redação do Enem 2014. Deficiente auditiva, ela conta que só fez o exame para testar os meus conhecimentos, já que pretende fazer um mestrado.

Por ser portadora de surdez severa e profunda, Oziany teve de enfrentar muito preconceito na escola. Mas, apesar de enfrentar a maioria dos obstáculos todos os deficientes auditivos encontram pelo caminho, ela conta que nunca desanimou. Ela teve a sorte de encontrar muitos professores que a ajudaram a superar os desafios e desenvolver todo o seu potencial.

De uma maneira geral, as principais dificuldades dela foram nas disciplinas de matemática, física e química. Para ela também ficava muito difícil acompanhar a explicação dos docentes e o quadro ao mesmo tempo. Por outro lado, muitos professores entendiam as necessidades especiais dela e se aproximavam para explicar a matéria – fazendo com que ela não tivesse tantas perdas dessa maneira.

O gosto pela leitura, que foi fundamental para o desempenho excelente na redação, foi desenvolvido no Ensino Médio, com a ajuda de professores dedicados.

Leia mais sobre a trajetória de Oziany aqui.